Por Vinicius Melo
Data: 5 de junho de 2026
Em Brasília, edição do festival gastronômico inova ao convidar artista plástico com síndrome de Down para fazer arte que estampa jogo americano
Este ano, o Brasil Sabor no Distrito Federal trouxe uma novidade para os consumidores e os restaurantes participantes. O artista plástico brasiliense, Augusto Corrêa, desenvolveu uma obra com diversas cores e forma geométricas, que ilustrou os jogos americanos exclusivos do festival. Para ganhar a peça, o cliente deve experimentar pratos do Brasil Sabor em três estabelecimentos.
A edição de 2026 celebra a diversidade e a excelência da culinária nacional, com o tema “A Seleção da Cozinha Brasileira”, e vai até o dia 07 de junho. Para conhecer os mais de 80 restaurantes participantes do DF, basta acessar brasilsabor.com.br.
Pioneirismo em sua essência
Festival gastronômico realizado anualmente pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o Brasil Sabor está, em 2026, na sua 20ª edição, e ocorre simultaneamente em mais de 70 cidades de 19 estados do país. Os pratos desenvolvidos para o festival valorizam ingredientes, tradições e releituras gastronômicas, com preços que variam de R$ 59,90 a R$ 119,90.
A capital federal foi uma das grandes inspirações para o desenvolvimento do festival com alcance nacional. Newton Garcia, líder de relações institucionais da Abrasel, conta que a edição do Distrito Federal é pioneira, sendo a precursora do evento. “Antes do Brasil Sabor começar, nós fizemos o Brasília Sabor. Foi após o sucesso dos dois primeiros anos deste evento que nasceu o Brasil Sabor”, revela.
Para a atual edição, Newton e Thales Furtado, presidente da Abrasel no DF, decidiram novamente inovar. “A gente começou a conversar e levei a ideia de fazer novamente o Circuito Gourmet, algo que já tinha implantado há alguns anos aqui em Brasília”, conta Garcia.
No Circuito Gourmet, a ideia é incentivar que os clientes conheçam mais casas participantes do festival. Por isso, foram desenvolvidas duas premiações: a primeira, premia aqueles clientes que experimentam três pratos diferentes do Brasil Sabor com o jogo americano assinado pelo artista Augusto Côrrea. A segunda é para aqueles que vão em seis restaurantes diferentes e, com isso, ganham um voucher para comer um dos pratos do evento.
Representatividade na obra
Com o convite em mãos, o artista Augusto e seu pai, Jack Corrêa, passaram ao processo criativo de escolher a arte que ilustraria o jogo americano. “Nós pegamos materiais de umas 50 artes dele e fomos evoluindo para ver o que ia ficar legal”, conta Jack. Produzido em tecido, o jogo traz formas geométricas feitas por canetas hidrocor e é uma reprodução de uma das obras do artista.
Carlos André de Souza, proprietário do Gran Monumental Restaurante & Gastrobar, participante do Brasil Sabor no DF, afirma que o trabalho feito por Augusto agrega mais valor à experiência do consumidor e reforça uma característica do povo brasiliense. “Brasília tem muito essa questão do apelo visual de artistas. Então, assim, são referências da cidade que são expostas em objetos do dia a dia do candango”, destaca.
Participando pela primeira vez do Brasil Sabor, o Gran Monumental Restaurante & Gastrobar apresentou um prato de Salmão grelhado, com redução de maracujá e limão siciliano, acompanhado de risoto negro. O restaurante é um dos mais de 80 estabelecimentos que podem ser visitados pelos consumidores no Distrito Federal.

Augusto Corrêa e a pureza da arte
Com 25 anos, Augusto Corrêa é um artista plástico com síndrome de Down, autor de obras expostas em Brasília, Miami e Nova York. Desde criança ligado à prática de esportes e expressões da arte, o jovem começou a manifestar seu talento pela pintura muito cedo. “Num determinado momento, aos 12 anos, ele (Augusto) começou a pintar umas bolinhas e uns quadradinhos muito interessantes, sabe? E aí ele começou a mostrar que de tudo que ele tentou, a coisa que mais chamou atenção dele foi pegar canetinhas de hidrocor e começar a pintar”, revela Jack, pai de Augusto.
De pequenas manchinhas, os desenhos de Augusto ganharam forma e se tornaram obras que chamaram a atenção de um curador amigo da família. “Esse nosso amigo começou a digitalizar aqueles desenhos, e ao digitalizar você pode ampliar do tamanho para o que você quiser, e ele passou aquilo para um papel especial de quadro e começou a vender os quadros”, conta Jack.
Com o sucesso, Augusto fez sua primeira exposição, aos 13 anos, no Espaço Cultural do Senado Federal, no Dia Internacional da Síndrome de Down. O evento foi a porta de entrada para o artista na cena cultural, que posteriormente faria exposições em Miami e Nova York. “Ele (Augusto) ficou muito amigo do João Cândido Portinari, filho do Portinari. O Cândido Portinari o apresentou a uma galerista de Miami e ela promoveu uma exposição dele dentro de uma galeria de lá, durante a Art Basel”, narra Jack. A exposição em solo americano foi tão bem-sucedida que Liz Wood, galerista que o levou para Miami, o convidou para fazer a New York Expo em 2024.
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Das telas aos pratos
A ação no Brasil Sabor é a primeira experiência de Augusto com a gastronomia. Para seu pai, Jack, a parceria com a Abrasel traz benefício tanto para o artista, como para os consumidores. “A gente fica muito feliz, porque isso chama-se inclusão, sabe? comenta Jack.
Ao unir gastronomia, arte e inclusão, o Brasil Sabor no DF amplia a experiência dos consumidores para além dos pratos servidos à mesa. A iniciativa transforma um item do cotidiano (o jogo americano) em uma ferramenta de valorização da diversidade e oferece visibilidade ao trabalho de um artista que tem conquistado espaço dentro e fora do país.

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