Por Vinicius Melo
Data: 28 de maio de 2026
Atividades integradas à culinária têm ampliado o tempo de permanência e de consumo em pousadas, resorts e hotéis
A combinação entre gastronomia, descanso e lazer tem ganhado força em hotéis, pousadas e resorts brasileiros. Em diferentes regiões do país, restaurantes instalados nesses estabelecimentos apostam em experiências completas que incluem cardápios autorais, atividades de entretenimento e contato com a natureza.
O modelo reforça uma tendência crescente no setor de alimentação fora do lar: restaurantes deixam de ser apenas locais de refeição e passam a atuar como parte central da experiência turística e de lazer.
Experiência gastronômica além da culinária
Em Barra Grande, no litoral do Piauí, o La Cozinha desenvolveu uma proposta de trabalhar a culinária local aliada ao lazer, momentos de descanso e conexão com a natureza. Uma pousada boutique com restaurante autoral, o La Cozinha recebe hóspedes e visitantes externos interessados em experiências ligadas a região litorânea do Piauí.
Hervé Witmeur, proprietário do estabelecimento, descreve a casa como mais do que uma hospedagem ou um restaurante. “Nós somos uma experiência integrada entre descanso, gastronomia, natureza, cultura local e acolhimento”, explica o empresário.
Embora não trabalhe com day use, o estabelecimento abre o restaurante para almoço, jantar e cafés da manhã mediante reserva. A proposta busca preservar a tranquilidade dos hóspedes sem deixar de receber visitantes interessados na experiência gastronômica.
O restaurante trabalha com cozinha autoral baseada em ingredientes locais, sazonalidade e conexão com a Fazenda La Reserva, propriedade orgânica do grupo na região de Parnaíba. O conceito “Fazenda ao Mar” orienta o cardápio e as experiências oferecidas aos clientes. “Acreditamos que uma experiência sustentável começa pela valorização do território: os ingredientes, os produtores, os pescadores, a cultura alimentar, a natureza e o ritmo do lugar”, destaca Hervé.
Entre as experiências mais procuradas estão menus degustação, pratos com peixes frescos, tábuas compartilháveis e receitas que unem referências brasileiras e técnicas contemporâneas. O café da manhã artesanal também aparece entre os pontos mais valorizados pelos hóspedes.
Para Hervé, a busca do consumidor vai além da alimentação. “O cliente não busca apenas comer bem, ele busca viver algo que faça sentido. Ele quer entender de onde vem o ingrediente, ser bem recebido, sentar em um ambiente agradável e levar uma memória daquela refeição”, afirma.

Operações criam estratégias para manter hóspedes nos restaurantes
No Maranhão, o grupo Casa de Juja opera restaurantes dentro de hotéis e resorts em São Luís e Tutóia. Segundo o gestor geral do grupo, Lula Fylho, as operações gastronômicas em empreendimentos de hospedagem exigem estratégias diferentes das adotadas em restaurantes tradicionais. “Operação dentro de um hotel dificilmente é rentável apenas com hóspedes. O hóspede, por natureza, quer explorar a cidade. Então precisamos criar maneiras atrativas para ele permanecer no restaurante também”, explica.
No resort localizado em Tutóia, a permanência média dos hóspedes contribui para ampliar o consumo interno. “Lá é um resort que as pessoas ficam em média três dias. Elas tomam café, vão para a piscina, almoçam, jantam, e querem aproveitar a estrutura do estabelecimento”, afirma Lula.
Para atender esse perfil, o restaurante passou a desenvolver cardápios específicos para diferentes momentos do dia, incluindo petiscos para piscina, pizzas, hambúrgueres, happy hour, música ao vivo e pratos regionais maranhenses. “Eu fui observando qual era o movimento que fazia o hóspede sair do nosso restaurante e comecei a incorporar no cardápio”, explica. A estratégia busca ampliar o tempo de permanência do consumidor e reduzir a necessidade de deslocamento para outros estabelecimentos fora do resort.
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Experiência amplia valor percebido pelo consumidor
Além da gastronomia, os empreendimentos investem em atividades complementares para fortalecer a experiência dos clientes. No La Cozinha, hóspedes participam de atividades como beach tennis, kitesurf, eventos gastronômicos e experiências ligadas à natureza. “O prato é muito importante, mas ele vem junto com o ambiente, o atendimento, o jardim, a horta, o ritmo do vilarejo e a sensação de estar em um lugar especial”, destaca Hervé Witmeur.
Já no Casa de Juja, a culinária regional maranhense funciona como diferencial competitivo tanto para hóspedes quanto para visitantes externos. “O turista que vem para o Maranhão quer comer a comida regional, e a gente está bem posicionado”, afirma Lula Fylho.
O modelo reforça uma tendência crescente no setor de alimentação fora do lar: restaurantes deixam de atuar apenas como locais de refeição e passam a integrar experiências de turismo, lazer e entretenimento. Para empresários do setor, a estratégia também representa oportunidade de aumentar o ticket médio, ampliar a permanência dos clientes e fortalecer a fidelização.

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