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Churrasco coreano conquista consumidores ao levar preparo para as mesas

Churrasco coreano conquista consumidores ao levar preparo para as mesas
Comunhão e maior participação dos clientes fazem parte do churrasco coreano | Foto: Ssam Korean Steakhouse

Por Vinicius Melo
Data: 9 de julho de 2026

Influência da cultura coreana impulsiona modelo de negócio que vai além da gastronomia 

Antes mesmo de a carne chegar à mesa, um detalhe chama a atenção: no centro dela há um fogareiro equipado com um sistema de exaustão. Pouco depois, o garçom apresenta os cortes ainda crus, explica os acompanhamentos e orienta o cliente sobre o preparo. Em vez de esperar o prato pronto, cada pessoa participa da refeição desde o primeiro momento. 

É dessa forma que churrascarias coreanas têm conquistado cada vez mais consumidores no Brasil. Com um estilo diferente, que prioriza a comunhão e o preparo coletivo, estes estabelecimentos oferecem uma experiência oriental em solos tupiniquins. Cortes, temperos e acompanhamentos também fogem do que é oferecido nas tradicionais churrascarias brasileiras. 

A popularização da culinária coreana é parte do fenômeno global conhecido como Hallyu, que tem ganhado força com a disseminação de produções audiovisuais (filmes e séries), bandas musicais, como BTS, games e aspectos da moda. 

Da comunidade coreana ao público brasileiro 

Em São Paulo, cidade que concentra a maior comunidade coreana da América Latina, esse modelo de restaurante existe há décadas. Segundo dados do Museu da Imigração, vivem no Brasil cerca de 50 mil coreanos e descendentes, a maior parte na capital paulista. 

Foi nesse contexto que surgiu, há 25 anos, o New Shin La Kwan, no bairro do Bom Retiro. Especializado em churrasco coreano, o restaurante nasceu para atender principalmente a comunidade coreana residente na cidade. “Acho que somos o terceiro ou quarto restaurante coreano do Brasil”, conta o proprietário, Sae Kim. 

Durante muitos anos, praticamente todo o público era formado por imigrantes e descendentes, mas esse cenário começou a mudar na década de 2010. “Há um consumo de cultura coreana, desde shows, músicas e programas televisivos, então agora os brasileiros começaram a consumir a gastronomia também”, afirma. 

“Hoje, eu acho que nem 5% do meu público é coreano. 95% é não coreano. Aí entra estrangeiro, porque lá nos Estados Unidos e na Ásia é muito popular as churrascarias coreanas, mas a maioria esmagadora são brasileiros”, revela Sae. 

A experiência começa no preparo da carne 

Diferentemente das churrascarias brasileiras, nas quais o preparo acontece na cozinha ou é realizado pelos passadores, no churrasco coreano a refeição é construída na própria mesa. “A gente tem um buraco no meio da mesa onde entra uma cesta com carvão, com brasa, e onde colocamos a grelha de ferro polido por cima”, relata Sae. 

A fumaça produzida durante o preparo é captada por um sistema de exaustão instalado sobre cada mesa, permitindo que a experiência aconteça sem comprometer o conforto dos clientes. 

Em Brasília, o SSAM Korean Steakhouse segue a mesma proposta. “O garçom traz as carnes cruas para o cliente assar e explica, um por um, o que é o que de cada acompanhamento, como é que assa e como é que monta a trouxinha, que eu considero o melhor de tudo”, explica o proprietário, Kwon Sup Paik. 

Conhecida como ssam, a “trouxinha” é feita a mão pelo cliente e pode levar carne, folhas, molhos e acompanhamentos, sendo uma das formas mais tradicionais de consumir o churrasco coreano. 

Acompanhamentos são parte fundamental do churrasco coreano | Foto: New Shin La Kwan
Acompanhamentos são parte fundamental do churrasco coreano | Foto: New Shin La Kwan

Cortes, marinadas e ingredientes criam identidade própria 

A experiência também passa pelos sabores. Enquanto nas churrascarias brasileiras predominam cortes espessos servidos já assados, o churrasco coreano utiliza fatias finas preparadas diretamente na mesa, muitas vezes marinadas antes de chegar ao cliente. “A carne bovina marinada é típica da Coreia, tanto o estilo como o sabor. Ela é feita de contrafilé, uma fatia fina e marinada”, explica Kwon Sup Paik. 

Segundo ele, os cortes tradicionais são “um pouco mais grossos que carpaccio” e costumam ser acompanhados por ingredientes fermentados e molhos típicos. “O principal seria o kimchi, que é acelga apimentada e fermentada.” 

No New Shin La Kwan, além da carne bovina, o cardápio inclui barriga de porco, magret de pato, picanha, bife ancho e costela. “A proteína em si é a mesma, só que o corte, o modo de apresentação da carne é um pouquinho diferente”, afirma Sae Kim. 

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Operação exige treinamento e ingredientes específicos 

Por trás da experiência oferecida ao consumidor existe uma operação bastante diferente da encontrada em restaurantes tradicionais. Como os garçons participam ativamente da orientação dos clientes durante toda a refeição, o treinamento da equipe precisa ser constante. 

Segundo Kwon Sup Paik, outro desafio está na obtenção de ingredientes típicos da culinária coreana. “Eu sempre tento usar os insumos que vêm da Coreia. As folhagens eu uso as daqui, mas as pastas essenciais eu trago tudo da Coreia. A carne não, a carne brasileira é melhor.” 

A necessidade de importar parte dos ingredientes, aliada ao investimento em equipamentos específicos, faz com que a operação dessas casas exija planejamento e conhecimento técnico. Ainda assim, o crescimento do interesse dos brasileiros pela cultura coreana tem ampliado as oportunidades para esse segmento.

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Vinicius Melo

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Jornalista formado no Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, com experiência em assessoria de imprensa, produção de conteúdo audiovisual e redação. Atualmente, é repórter na Agência de Notícias da Abrasel.

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