Por Vinicius Melo
Data: 24 de abril de 2026
Em meio a mudanças de consumo, o churrasco segue como vetor de união e partilha
Celebrado em 24 de abril, o Dia do Churrasco reforça a importância de uma das principais tradições gastronômicas do Brasil. Com forte influência do Rio Grande do Sul, a data foi instaurada pela lei estadual 11.929, de 2003, que definiu, também, o churrasco a “moda gaúcha” como prato típico do Estado sulista.
Por todo o país, a refeição tem se consolidado como uma experiência que reúne identidade cultural e convivência. Para restaurantes e churrascarias, o churrasco tem se tornado um elemento para inovações e adequação a tendências, sem fugir da tradição.
Legado gaúcho
Com 90 anos de história, o Restaurante e Churrascaria Santo Antônio é um dos principais locais em Porto Alegre para degustar o tradicional churrasco gaúcho. Com opções de cortes variados, ofertados à la carte, a churrascaria trabalha somente com gado gaúcho, escolha que reforça a identidade local.
Fabrício Kuhn, gerente do Santo Antônio, conta que o restaurante prepara as carnes em uma churrasqueira à carvão, com carne na grelha e outras no espeto. Os cortes mais pedidos são o entrecôte e o assado de tiras, com destaque também para a tradicional costela de espeto.
O tradicionalismo, contudo, não restringe a inovação, e a churrascaria Santo Antônio tem ampliado sua atuação para diferentes públicos. “Estamos sempre atentos às tendências do mercado e buscamos aliá-las com a casa sem nunca perder a tradição que nos trouxe até aqui. Temos focado em proteínas, preparos low carb e alguns pratos que se adequem ao público vegano/vegetariano”, revela Fabrício.

Opções para compartilhar ganham força
De olho em novas tendências, o quase centenário Restaurante e Churrascaria Santo Antônio tem apostado, também, em “meias porções” para clientes que desejam consumir menos carne.
Um levantamento feito pela Abrasel – Associação de Bares e Restaurantes com proprietários de estabelecimentos de todo o Brasil aponta para uma mudança de consumo devido ao uso de medicamentos para emagrecimento.
De acordo com a pesquisa, 61% dos empresários do setor de alimentação fora do lar já percebem mudanças graduais no consumo associadas ao uso de remédios como o Ozempic e Mounjaro.
Entre os entrevistados, as alterações são classificadas principalmente como leves ou moderadas, o que aponta para um processo de adaptação progressiva, sem ruptura brusca no padrão de consumo.
Na cidade de Cruz das Almas, na Bahia, a churrascaria Baita Boi aposta na experiência compartilhada para se adequar a essa mudança de consumo.
Na percepção do Chef Luiz Alberto Coelho, proprietário do restaurante, o consumidor de hoje não quer apenas se alimentar, ele quer viver uma experiência com significado. “Quando o churrasco deixa de ser algo simples e passa a ser tratado com técnica, respeito ao produto e identidade cultural, o cliente se conecta de forma mais profunda, e isso gera recorrência, memória e fideliza”, afirma Luiz.
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Regionalismo como elemento agregador
Com a experiência de ser o campeão baiano do “O quilo é nosso”, concurso promovido pela Abrasel, o Baita Boi trabalha suas carnes com elementos do Recôncavo Baiano.
O churrasco é assado na brasa e na parrilla, o que permite precisão, controle e respeito ao ponto da carne, mas, para o Chef Luiz, o grande diferencial está na forma como o restaurante utiliza a defumação como identidade. “A fumaça não é apenas técnica, ela é memória. Ela carrega história. No nosso caso, ela traduz o Recôncavo Baiano — um território que sempre teve uma relação muito forte com o fogo, com o tempo e com o sabor construído de forma artesanal”, revela ele.
Outro ponto destacado pelo chef está nos acompanhamentos. “Estamos valorizando acompanhamentos que dialogam com a nossa cultura, mas com uma leitura mais gastronômica — legumes na brasa, molhos autorais, combinações que não apenas acompanham, mas completam a experiência”, destaca Luiz.
Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a Manura Churrascaria e Cozinha Árabe trabalha suas carnes de acordo com o hábito local. Munir Saad Júnior, proprietário do estabelecimento, revela que “o campo grandense, o sul mato-grossense, tem uma preferência por rodízio”.
São mais de 20 cortes de carne ofertados, com acompanhamentos de saladas para os que desejam comer menos ou equilibrar o consumo. A picanha representa 30% do volume de carne vendida durante o mês, com o cupim vindo em segundo lugar. Servido de 3 maneiras, o corte segue a maneira tradicional, assado na brasa, uma versão mexicana, com molho marinado na pimenta, e o cupim de sol, carne típica da região.
Em suas diferentes versões, o churrasco segue sendo um elemento agregador e de convívio, onde o ato de compartilhar é representado na partilha da carne.

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