Por: Vinicius Melo
Data: 8 de outubro de 2026
Estratégia ganha impulso durante a semana da criança; estabelecimentos utilizam ingredientes variados, apresentações lúdicas e adaptações de pratos para atender às preferências das crianças
Escolher um restaurante para uma refeição em família envolve também pensar no que será servido às crianças. A demanda parte dos consumidores e encontra nos estabelecimentos propostas variadas. Por todo o Brasil, chefs têm criado menus infantis que procuram atender aos gostos dos pequenos sem abandonar a identidade da casa.
Há restaurantes que desenvolvem receitas específicas para crianças, enquanto outros preferem adaptar pratos do próprio menu de acordo com o pedido dos pais. Em comum, está a tentativa de oferecer mais do que uma combinação de alimentos pensada para facilitar a refeição.
Pratos infantis acompanham proposta do restaurante
Na Cozinha Santo Antonio, a presença frequente de famílias gerou a necessidade da oferta de uma opção específica para as crianças. O restaurante funciona de terça a domingo com um foco especial para o período do almoço.
A chef da casa, Juliana Duarte, conta que a solução foi criar um prato com arroz, feijão, carne e uma variedade de vegetais. A composição pode incluir mini cenoura, mini beterraba, mini rabanete, tomate-cereja, couve-flor e brócolis, de acordo com a disponibilidade dos ingredientes, pois a sazonalidade influencia a montagem. Como os vegetais disponíveis mudam ao longo do ano, a composição do prato pode variar.
A proteína também segue a proposta da casa. O restaurante utiliza cortes como chorizo e carnes Angus para o prato infantil. A montagem ainda inclui pipoca de milho crioulo, batata-palha doce e uma flor ou broto.
Para Juliana, o objetivo é apresentar variedade sem criar uma versão excessivamente simplificada da alimentação. “Eu entendo que é um prato infantil, mas não é infantilizado. O nosso desejo é oferecer à criança a oportunidade de experimentar várias coisas”, explica.
Durante a semana, o restaurante também oferece uma versão infantil do menu executivo. A refeição segue a mesma estrutura do prato servido aos adultos, mas em uma porção menor. O executivo inclui arroz, feijão, uma proteína, legume e verdura.
A escolha aproxima o público infantil da proposta gastronômica da casa, em vez de criar uma preparação completamente separada do restante do cardápio.
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Cor e apresentação também entram na experiência
Na ‘A Casa da Agnes’, a apresentação recebe atenção especial. Segundo a chef Agnes Farkasvolgyi, formato e cores são elementos importantes quando o prato é destinado às crianças.
Entre os alimentos que mais aparecem nos pedidos estão massa, carne, batata e ovos. A chef afirma que existem receitas criadas especificamente para o público infantil, mas também há adaptações de pratos da casa quando essa é a preferência dos pais.
O comportamento das próprias crianças também influencia a escolha. “Existem crianças que sabem o que querem comer e escolhem onde querem comer”, diz Agnes. Esse comportamento coloca o público infantil como parte da decisão da família.
Atender esse público também passa por oferecer uma porção menor, mas por pensar em apresentação, variedade e possibilidade de adaptação.
No estabelecimento, a preocupação com a experiência aparece também fora do prato. “Além da comida, gostamos de oferecer papel e lápis para desenhar, e para os bem pequenos, temos bichinhos diferentes para que eles possam brincar enquanto os pais fazem suas refeições”, explica Agnes.
Da mesma forma, a Cozinha Santo Antonio adota estratégia semelhante. A casa não possui uma área kids, devido às características do imóvel, mas oferece papel e lápis de cera para as crianças desenharem durante a refeição.
A estratégia mostra que a experiência infantil não depende necessariamente de uma estrutura exclusiva para os pequenos. Elementos simples podem ajudar a tornar a permanência da família mais confortável.

Restaurantes buscam equilibrar praticidade e descoberta
A demanda das famílias também pode levar os estabelecimentos a criar soluções diferentes para momentos específicos. Na Cozinha Santo Antonio, por exemplo, a Semana das Crianças terá uma programação própria, com preparações como nuggets feitos na casa, bolinhas de carne, estrogonofe, picolé e gelatina colorida.
A proposta combina preparos associados ao paladar infantil com a produção própria do restaurante. O movimento também permite que a casa crie uma ocasião específica para receber famílias e apresente sua cozinha de outra maneira.
Na ‘A Casa da Agnes’, a chef observa que o comportamento dos pais não é uniforme. Alguns demonstram preocupação com aquilo que a criança vai comer, enquanto outros priorizam opções consideradas mais fáceis para os pequenos, como massa com carne.
Essa diferença ajuda a explicar por que os restaurantes adotam estratégias variadas. Um cardápio infantil pode oferecer escolhas mais conhecidas, mas também pode funcionar como uma oportunidade para apresentar ingredientes e combinações diferentes.
As experiências da ‘A Casa da Agnes’ e da Cozinha Santo Antonio mostram que não existe um único modelo de cardápio infantil. O ponto em comum está na busca por equilíbrio entre aquilo que a criança aceita comer, as expectativas dos pais e a proposta gastronômica do restaurante.
Nesse cenário, pratos menores, adaptações, apresentação cuidadosa e ingredientes variados aparecem como ferramentas para aproximar as crianças da mesa.
