Por: Redação
Data: 4 de novembro de 2026
Quase metade dos negócios presentes nesses territórios é do setor de alimentos e bebidas, segundo o Data Favela
Neste 4 de novembro é Dia da Favela, e não tem como falar de favela sem falar de luta. Luta por moradia, por saneamento, por respeito, por oportunidade. Tudo o que existe ali foi construído no braço, por gente que não esperou ninguém para fazer acontecer. Boa parte dessa força tem cheiro de comida: segundo o Data Favela, 45% dos negócios nas comunidades são do setor de alimentos e bebidas.
É o salgado vendido na esquina, a marmita que sai para o trabalhador, o bar da que junta a vizinhança, a padaria que abre antes do sol nascer, a confeiteira que faz os melhores bolos de aniversário. É comida que gera renda, sustenta família e mantém o dinheiro girando dentro da própria comunidade.
Essa luta é, antes de tudo, para melhorar de vida. Para quem mora na favela, empreender virou um dos principais caminhos. Pesquisa do Data Favela feita em julho de 2025, mostra que 73% dos moradores acreditam que ter o próprio negócio é um jeito mais fácil de ganhar dinheiro. O negócio próprio deixou de ser plano B e virou projeto de vida.
São mais de 12 mil favelas espalhadas pelo Brasil, onde vivem mais de 16 milhões de pessoas, segundo o Censo 2022 do IBGE. Um país inteiro de gente que cozinha, vende, atende e cria.
A Abrasel quer ser cada vez mais favela
“A favela é bar, restaurante e lanchonete. Se a nossa missão é construir um Brasil mais simples para empreender e melhor para viver, a gente precisa estar onde esses negócios nascem. A Abrasel quer ser cada vez mais favela, ouvindo e abrindo portas para quem faz o setor acontecer”, afirma Luiza Campos, líder ASG da Abrasel.
Por isso, a associação já tem quatro núcleos dentro de favelas: Morro da Mariquinha, em Florianópolis (SC); Jardim Vitória, em Cuiabá (MT); Bairro da Paz, em Salvador (BA); e Vergel do Lago, em Maceió (AL). A ideia é que esse número cresça ainda mais nos próximos anos.
Do território para o território
Os núcleos já estão colocando a mão na massa. Em setembro, o Jardim Vitória recebeu a 1ª Feira Gastronômica do Jardim Vitória, organizada pelo núcleo local em parceria com a Abrasel no Mato Grosso. A feira reuniu empreendedores do próprio bairro, que levaram seus produtos, seus sabores e suas histórias para um espaço feito para eles. Na sequência, eles puderam participar de uma qualificação gratuita que incluiu temas como segurança dos alimentos, marketing, gestão e vendas.
No mesmo bairro, o Projeto Papa Óleo transforma óleo de cozinha usado em ação social. Nesse ano, o núcleo tem feito coletas em estabelecimentos parceiros e recebeu doações dos moradores – já são 220 litros de óleo que deixam de ir para o ralo.
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“As pessoas tinham muito óleo usado em casa e não sabiam como descartar esse material, estavam guardando há meses. Quando foi lançado o projeto, elas souberam como fazer”, explica a coordenadora do Núcleo da Abrasel Jardim Vitória, Val Cabral.
O material será vendido para empresas que encaminham o óleo para produção de biodiesel e o dinheiro será utilizado para construção de uma estação de coleta seletiva na comunidade.
