Por: Vinicius Melo
Data: 23 de julho de 2026
Selo certifica alimentos e bebidas ligados ao território de origem e ajuda consumidores a identificar produtos com características únicas em bares e restaurantes
Escolher um vinho, uma cachaça, um queijo ou até um mel pode ser também uma forma de conhecer a história de uma região. Cada vez mais presentes em restaurantes, bares e roteiros gastronômicos, produtos com Denominação de Origem (DO) carregam características ligadas ao local onde são produzidos e oferecem ao consumidor a garantia de que seguem critérios específicos de produção.
Mais do que um selo de qualidade, a certificação representa a identidade de um território e transforma a gastronomia em uma experiência de cultura, tradição e autenticidade.
A Denominação de Origem é uma modalidade de Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI. O registro identifica produtos cujas características dependem essencialmente do meio geográfico, considerando fatores naturais, como solo e clima, e também conhecimentos tradicionais desenvolvidos ao longo das gerações.
No Brasil, dezenas de produtos já possuem esse reconhecimento. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o número de Indicações Geográficas reconhecidas tem crescido nos últimos anos, refletindo o interesse de produtores e consumidores por alimentos que preservam identidade, origem e modos tradicionais de produção.
Tradição e identidade
Em Luiz Alves/SC, região certificada com Indicação Geográfica, o Alambique Rein trabalha há 15 anos com a venda de destilados. De tradição familiar, o estabelecimento oferta gin’s, rum’s, whisky’s, licores exclusivos e rótulos únicos, como a Rein Aguardente de Mel de Abelha Envelhecida.
As cachaças, produtos centrais no negócio, são certificadas com Denominação de Origem. “Nosso alambique tem DO em todas, desde as brancas até as envelhecidas”, conta Orécio Rech, sócio do estabelecimento.
Para conquistar e manter o selo, o Alambique precisou cumprir e comprovar uma série de exigências relacionadas ao território e ao processo produtivo. “São vários critérios necessários para a certificação, que vão desde o plantio em território permitido pela Indicação Geográfica, uso de leveduras nativas, técnicas centenárias e cultivo de canas nativas da região”, explica o empresário.
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Segundo Rech, a certificação é uma garantia de autenticidade, ao atestar o sabor e especificações únicas do produto, e de credibilidade, ao reconhecer sua importância para a região onde ele é produzido.
Consumidor ainda conhece pouco o selo
Apesar desses diferenciais, transformar a certificação em valor percebido pelo consumidor ainda é um desafio. A Indicação Geográfica e a Denominação de Origem são pouco conhecidas por grande parte dos consumidores.
Para os produtores, ampliar esse conhecimento é um dos principais desafios. “Ter DO ainda não impacta muito, pois os consumidores não sabem bem o que significa um produto com Denominação de Origem”, afirma Rech.
Quando compreende o significado da certificação, o consumidor passa a enxergar o produto de forma diferente. Mais do que escolher um alimento ou uma bebida, ele conhece a história por trás da produção, os métodos utilizados e a relação daquele produto com o território onde foi desenvolvido.
Essa conexão também fortalece as regiões produtoras. Segundo o empresário, a certificação contribui para proteger produtos tradicionais e reduzir falsificações.

Gastronomia transforma origem em experiência
O crescimento do turismo gastronômico também tem ampliado o interesse por produtos certificados. Em Santa Catarina, o projeto Destino Sul do Brasil – Terroirs e Experiências, desenvolvido pelo Sebrae/SC em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina (ABIH-SC), incentiva hotéis e empreendimentos turísticos a incorporarem alimentos e bebidas com Indicação Geográfica em cafés da manhã, menus, kits de boas-vindas e experiências sensoriais.
A proposta parte de uma mudança no comportamento do turista, que busca vivências mais autênticas e deseja conhecer a cultura local também por meio da gastronomia. Ao utilizar produtos certificados, estabelecimentos agregam valor ao cardápio, fortalecem produtores regionais e oferecem experiências que dificilmente podem ser reproduzidas em outros destinos.
Santa Catarina é um dos estados que mais avançaram nesse processo. Atualmente, reúne 12 Indicações Geográficas reconhecidas pelo INPI, entre elas produtos como Banana de Corupá, Mel de Melato da Bracatinga, Maçã Fuji da Região de São Joaquim, Linguiça Blumenau, Vinhos de Altitude e Alho Roxo do Planalto Catarinense, além de outras oito certificações em fase de reconhecimento.
Para bares e restaurantes, trabalhar com produtos de origem certificada representa uma oportunidade de contar histórias por meio do cardápio e aproximar consumidores dos territórios onde esses alimentos e bebidas são produzidos.
Para quem está do outro lado da mesa, significa consumir produtos cuja qualidade está diretamente ligada ao ambiente, à tradição e ao conhecimento acumulado por gerações, transformando uma refeição em uma experiência que vai além do sabor.
