Por: Vinicius Melo
Data: 23 de outubro de 2026
De receitas que marcaram o reality a cardápios que exploram diferentes tradições culinárias, restaurantes comandados por ex-participantes do MasterChef convidam o público a conhecer suas criações à mesa
Você já assistiu a um prato impressionante no MasterChef e ficou com vontade de experimentar algo criado por um dos participantes? Fora da televisão, cozinheiros que passaram pelo reality transformaram a experiência em caminhos profissionais variados, com restaurantes que vão da culinária italiana à cozinha brasileira contemporânea.
Para o consumidor, visitar esses endereços é uma oportunidade de conhecer de perto as ideias, as técnicas e as referências gastronômicas de quem acompanhou na tela.
Um desses nomes é Martin Casilli, que participou da primeira edição do MasterChef Brasil, em 2014, quando ainda cursava Engenharia e encarava a cozinha como hobby.
Hoje, ele é proprietário do Grupo Sky Hall, em São Paulo, com três unidades: Terrace, Garden e Park. Os espaços têm propostas diferentes, que incluem restaurantes, eventos corporativos e atendimento ao público no dia a dia.
Da cozinha amadora à carreira na gastronomia
A participação no programa foi um divisor de águas para Martin, que tinha 20 anos na época. Até então, ele preparava pratos para amigos e pessoas próximas, sem trabalhar profissionalmente em restaurantes.
Depois do reality, decidiu estudar Gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi para aprofundar seus conhecimentos técnicos e entender melhor o funcionamento do setor. “O MasterChef mudou completamente a minha visão, porque até então eu era só da parte de Engenharia. O programa mudou muito a minha vida como cozinheiro”, conta Martin.
A formação veio antes da abertura do Sky Hall. Desde então, a atuação de Casilli passou a combinar criação de pratos, treinamento de equipes e gestão dos negócios. Em 2023, ele foi reconhecido na lista Forbes Under 30, na categoria Gastronomia, distinção que destaca jovens profissionais em suas áreas.
Atualmente, Martin divide sua rotina entre a criação gastronômica e a organização das operações. A manutenção da identidade do cardápio, à medida que o negócio cresce, depende também da preparação dos profissionais que reproduzem as receitas. “Hoje, eu fico muito na questão do treinamento dos funcionários, de criar os menus. A minha vida é bem 50-50, fico um pouco nessa junção do trabalho diário, da gastronomia, mas também na gestão.”
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Pratos autorais e propostas para diferentes ocasiões
Quem visita as unidades do Sky Hall encontra propostas que variam conforme o espaço. O Garden, localizado nos Jardins, trabalha principalmente com referências mediterrâneas, incluindo influências da culinária italiana, francesa e espanhola.
O Terrace atende eventos corporativos, que exigem adaptações de cardápio e serviço conforme as necessidades de cada cliente. O Park, inaugurado mais recentemente, foi pensado atender o público no dia a dia.
Segundo Martin, os pratos do menu são idealizados por ele, especialmente no Garden, onde o cardápio tem uma identidade mais definida. Entre as criações que considera marcantes está o risoto de morango com tartar de vieira, desenvolvido na época em que participou do MasterChef.
Outro destaque é o sagu à parmegiana, servido no Garden. A receita faz uma releitura do dadinho de tapioca com referências da gastronomia italiana. Para o cozinheiro, combinações inesperadas podem transformar ingredientes conhecidos em uma experiência diferente para o cliente.
“Para mim, o principal é a construção de sabores inusitados, novas visões daquilo que já é feito por aí. Acho que isso é muito essencial para se tornar diferenciado. E também a questão de, quando o prato chega à mesa, o cliente já começar a pensar: ‘Uau, isso é realmente muito diferente de tudo que eu já comi.’”
A experiência, porém, não depende apenas da receita. Apresentação, ambiente, atendimento e bebidas também fazem parte da percepção do consumidor. No Sky Hall, a carta de drinques é desenvolvida pelo chefe de bar Renan Tarantino.

Outros ex-participantes que levaram a cozinha para os restaurantes
O Sky Hall faz parte de um cenário mais amplo de negócios ligados a ex-participantes do reality. Entre os exemplos estão o Paparoto Cucina, de Dayse Paparoto, dedicado à cozinha italiana; o Cuscuz da Irina, de Irina Cordeiro, com referências à culinária nordestina; e o Paru, projeto associado a Dário Costa que explora peixes e frutos do mar.
Há também propostas que se concentram em produtos específicos. O Foglia Forneria, em São Paulo, tem foco em pizzas de longa fermentação e na tradição italiana, enquanto o Saza Cozinha, em Curitiba, aposta em uma proposta autoral e sazonal, com menu que muda conforme as estações.
Para quem escolhe um restaurante pela história de seu chef, vale observar não apenas a participação na televisão, mas também a proposta atual da casa, o estilo do cardápio e a ocasião de consumo.
Um endereço pode priorizar uma experiência gastronômica mais elaborada, outro pode se concentrar em pratos rápidos ou em uma especialidade. Consultar o menu e as condições de atendimento antes da visita ajuda a alinhar as expectativas.
No caso de Casilli, a intenção é manter a criatividade sem perder consistência na execução. O desafio de expandir o negócio é fazer com que as equipes compreendam as receitas e a filosofia da cozinha, evitando que mudanças não planejadas comprometam a experiência.
Para o consumidor, essa combinação entre identidade culinária e regularidade é parte importante do que transforma a curiosidade despertada pela televisão em uma visita ao restaurante.
