Por Thainá Lima
Data: 30 de março de 2026
Mudança no consumo leva bares e restaurantes a apostar em sobremesas mais naturais e menos açucaradas na Páscoa
A Páscoa continua sendo uma das principais datas para o consumo de sobremesas, mas o comportamento do público tem passado por mudanças que já impactam diretamente bares e restaurantes. Mais do que buscar opções para quem tem restrições alimentares, o consumidor tem demonstrado uma preocupação crescente com a qualidade dos ingredientes e os efeitos dos alimentos no organismo.
Mudança no comportamento vai além das restrições
De acordo com o chocolatier e gestor da Gaudens Chocolate, Fabio Sicília, existe um aumento na procura por opções sem açúcar, sem lactose ou veganas, mas essa não é a principal transformação. “O crescimento não está apenas ligado a ‘restrições’, e sim a uma mudança estrutural no comportamento do consumidor”, afirma.
Segundo ele, dois fatores ajudam a explicar esse cenário: o avanço de medicações para controle de peso e glicemia, como Ozempic e Wegovy, e a consolidação de um discurso científico mais consistente contra alimentos ultraprocessados. Na prática, isso tem levado o consumidor a rejeitar produtos com corantes, aromatizantes e aditivos sintéticos, priorizando alimentos mais naturais e menos processados.
Essa mudança na Páscoa também se reflete na forma de consumir. A tendência, de acordo com Sicília, é de um consumo menor, porém mais consciente. Em vez de grandes volumes, o público busca sobremesas mais equilibradas, com melhor qualidade de ingredientes e menor carga de açúcar.

Expectativa positiva para o setor na Semana Santa
Mesmo diante dessas transformações no comportamento do consumidor, a data segue relevante para o setor. Dados da Abrasel mostram que 19% dos empresários esperam faturar até 5% mais na Semana Santa, enquanto 22% projetam crescimento entre 6% e 10%. Outros 12% estimam aumento entre 11% e 20%, 8% esperam faturar até 50% e 2% projetam crescimento acima desse percentual. Por outro lado, 21% acreditam em estabilidade, 6% preveem queda e cerca de 10% afirmam que não vão abrir no feriado.
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Como bares e restaurantes podem se adaptar
Para bares e restaurantes, o movimento exige uma adaptação que vai além de ampliar o cardápio durante a Páscoa. O desafio está em reposicionar os produtos. “O erro mais comum é apostar em volume e excesso de açúcar. Isso já não responde ao comportamento atual”, explica.
Entre as estratégias mais alinhadas a esse novo perfil de consumo estão a redução do dulçor, o uso de ingredientes considerados “reais” como cacau, manteiga, creme e frutas e a eliminação de ultraprocessados. A proposta é oferecer sobremesas que mantenham a sensação de indulgência, mas com menor impacto metabólico.
Outro ponto relevante é o tamanho das porções. Ainda segundo o especialista, o consumidor está comendo menos, mas com mais critério. Isso abre espaço para sobremesas menores, porém mais elaboradas e com maior valor agregado.
Na hora de escolher, o sabor continua sendo o principal fator para o cliente, mas com uma mudança importante, cresce a preferência por perfis menos doces e mais equilibrados. A experiência sensorial e a percepção de qualidade dos ingredientes ganham protagonismo, enquanto apresentação e exclusividade funcionam mais como atrativos iniciais.
O chocolate tradicional segue presente na Páscoa, mas também passa por transformação. Há uma busca maior por versões com maior teor de cacau, menos dulçor e combinações mais sofisticados. “O movimento não é abandonar o clássico, é refinar o clássico”, resume Sicília.
Para os próximos anos, a expectativa na Páscoa é de que essas mudanças se intensifiquem. A redução no consumo calórico, a valorização de ingredientes naturais e a rejeição a ultraprocessados tendem a impactar cada vez mais o desenvolvimento de sobremesas.
Mais do que uma tendência pontual, a Páscoa evidencia uma mudança de mentalidade, o consumidor está comendo menos, porém melhor um movimento que desafia o setor a equilibrar sabor, qualidade e novas expectativas de consumo.

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