Por Guilherme Paixão
Data: 12 de fevereiro de 2026
Estratégia e posicionamento ajudam bares e restaurantes a transformar o Carnaval em oportunidade, mesmo fora do circuito principal
O Carnaval é um dos períodos mais estratégicos do ano para bares e restaurantes. A data funciona como vitrine nacional, impulsiona o turismo e altera o comportamento de consumo também entre moradores locais. Em capitais, cidades turísticas ou no interior, o fluxo nas ruas muda e, com ele, surgem oportunidades de ampliar o faturamento.
Mas os resultados não dependem apenas de estar no circuito oficial da folia. A definição clara de estratégia determina se o período será de pico ou de desafio operacional.
Em Porto de Galinhas, o Restaurante Peixe na Telha decidiu transformar o fato de estar fora do circuito tradicional em vantagem competitiva. Segundo Nicolle Albuquerque, diretora do empreendimento, a percepção mudou ao longo dos anos.
“Estar fora do circuito oficial já foi um grande desafio para nós. Mas há algum tempo enxergamos como uma grande oportunidade. Muitos clientes não querem a muvuca dos blocos e o agito intenso de Recife e Olinda, eles buscam conforto, segurança e uma experiência mais tranquila.”
Mesmo distante do circuito principal, o clima da festa influencia o consumo. “Mesmo estando fora do circuito tradicional, percebemos uma mudança no comportamento de consumo. Durante o carnaval, as pessoas entram no clima de festa e isso reflete no bar. Há um aumento na venda de cervejas e drinks, a energia do Carnaval de Pernambuco contagia todo mundo.”
O fluxo acompanha os momentos mais emblemáticos da folia. “O nosso movimento começa a melhorar no Sábado de Zé pereira, principalmente após o Galo da Madrugada. Domingo, segunda e terça são os dias mais movimentados. Mas muita gente fica na nossa cidade até o domingo pós carnaval.”
Para atrair esse público que busca alternativa ao circuito lotado, o restaurante aposta em ambientação e ações pontuais. “Mesmo estando fora do circuito oficial, caracterizamos o restaurante com sombrinhas de frevo e fitas coloridas. Adaptamos a nossa trilha sonora. As marchinhas e o frevo são as protagonistas desse período. Mas somos uma alternativa para quem quer sentir a energia do Carnaval de Pernambuco, mas não quer está no agito de Recife e Olinda.”
A programação especial reforça o posicionamento. “Esse sábado dia 07/02 tivemos uma orquestra de frevo e um boneco gigante animando os nossos cliente, foi um sucesso .”
Quando o circuito concentra o fluxo
Em Salvador, mesmo dentro da capital que concentra grandes circuitos, a realidade pode ser diferente para quem está fora das rotas principais.
No bairro Roma, o Pastelburg Pizza sente redução no movimento durante o feriado. Segundo o proprietário, Thiago Prado, “reduz o movimento no fim de semana”. O público que comparece é menor e costuma estar apenas de passagem. “Recebemos o público em menor quantidade, mas são pessoas que vão e voltam do carnaval, em sua maioria”, Aafirma.
Os dois exemplos mostram que estar fora do circuito não determina automaticamente o resultado. O desempenho depende da estratégia adotada.
Planejamento começa antes da festa
Independentemente da localização, o primeiro passo é entender o contexto do entorno. O estabelecimento vai integrar o circuito da folia ou atender quem busca ambiente mais tranquilo? Tentar atender todos os públicos ao mesmo tempo gera sobrecarga operacional e compromete a experiência do cliente.
Antes de ajustar cardápio, equipe ou programação, é fundamental verificar as regras estabelecidas pela prefeitura local. Horários de funcionamento, uso de áreas externas, emissão de som e circulação de pessoas impactam diretamente a operação, principalmente para quem está na rota oficial.
Dentro e fora do circuito: estratégias distintas
Negócios localizados na rota dos blocos precisam priorizar agilidade e giro. Cardápio reduzido, bebidas pré-preparadas, pagamento digital simplificado e reforço de equipe aumentam a eficiência em momentos de pico.
Fora do circuito, a experiência pode se tornar o principal diferencial competitivo. Ambientação temática mais leve, horários ajustados, combos para grupos e atrações pontuais atraem o público que busca conforto e segurança sem abrir mão do clima carnavalesco.
A comunicação clara também é decisiva. A divulgação prévia da proposta da casa e o alinhamento de expectativas reduzem ruídos e aumentam as chances de atrair o cliente certo.
O circuito como decisão estratégica
O Carnaval deve ser encarado como ponto de partida para o ano, não apenas como pico de vendas. Estar dentro ou fora do circuito é uma condição geográfica. Transformar essa condição em oportunidade é uma decisão estratégica.
Para bares e restaurantes, a diferença entre um período desafiador e um Carnaval de bons resultados está menos na localização e mais na capacidade de interpretar o comportamento do público, adaptar a operação e posicionar o negócio com clareza dentro da dinâmica da cidade.

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