Por Guilherme Paixão
Data: 16 de janeiro de 2026
Clima quente e úmido, férias escolares, feriados prolongados e Carnaval fazem do verão um período decisivo para o faturamento de bares e restaurantes
O verão costuma ser mais do que uma estação climática para quem trabalha com comida e bebida: ele se transforma em um verdadeiro termômetro de faturamento. Com dias mais longos, clima úmido e calor, férias escolares, feriados e a proximidade do Carnaval, o período impõe novos ritmos de consumo, altera o perfil do público e exige atenção redobrada ao planejamento operacional. Em diferentes regiões do país, empreendedores relatam como o verão influencia diretamente o movimento e abre oportunidades para quem consegue se adaptar ao comportamento do cliente.
Levantamentos divulgados pela Abrasel em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o setor encerrou 2025 com expectativas positivas para 2026. A pesquisa de conjuntura da Abrasel, divulgada em dezembro, aponta que 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, cenário impulsionado por fatores macroeconômicos e pelo desempenho dos próprios negócios — contexto no qual o verão tem papel central.
Verão, calor e consumo: quando o movimento cresce
Em cidades turísticas e litorâneas, o verão costuma representar o auge do fluxo de clientes. Em Salvador, Geisa Pereira, dona do bar Cantinho da Telma, localizado na região do Bonfim, explica que a combinação entre clima quente e úmido, férias e feriados cria um ambiente especialmente favorável para o comércio.
“Para comércio de beira-mar é a melhor época. Tempo quente, férias e feriadões é um conjunto perfeito para esse tipo de comércio”, afirma. Segundo ela, o comportamento de consumo também muda com as altas temperaturas. “No calor, bebidas geladas têm um aumento significativo. Percebemos um grande crescimento na venda de sucos da fruta, drinks e bebidas zero álcool, como cervejas e refrigerantes.”
O verão também altera o perfil do público. Embora o estabelecimento mantenha uma base fiel de clientes, Geisa destaca o impacto positivo do turismo. “São muitas pessoas de fora. A mudança não é tão grande porque temos um público fiel, mas a vinda de turistas é maravilhosa, tanto pelo movimento quanto pela visibilidade do espaço”, diz.
Clima, localização e estratégia fazem diferença

Já em Florianópolis, o impacto do verão no faturamento depende diretamente da localização do negócio e das condições climáticas. Fabrício Barni, dono do Meu Cantinho Churrascaria, explica que o sol intenso tende a concentrar o consumo nos balneários, enquanto estabelecimentos mais afastados das praias sentem maior movimento em dias nublados ou chuvosos.
“Com o sol muito forte, as pessoas ficam na praia e frequentam os restaurantes localizados nos balneários. Quem está fora dessas áreas sente uma queda no movimento. Já com tempo nublado ou chuva, o fluxo aumenta em pontos mais afastados das praias”, relata.
Segundo ele, questões como mobilidade urbana também pesam na decisão do cliente durante o verão. “A mobilidade em Florianópolis é complexa. Dependendo da praia onde a pessoa está, ela prefere ficar por ali mesmo”, afirma. Por outro lado, Fabrício destaca diferenciais que ajudam a atrair o público, como áreas externas bem estruturadas, ambientes climatizados e, principalmente, a reputação digital. “Muitos clientes nos escolhem por causa das avaliações no Google e no TripAdvisor. A indicação também pesa muito.”
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Planejamento é o que transforma o verão em oportunidade
Além do aumento de fluxo, o verão exige atenção especial aos bastidores da operação. Para Adriana Lara, fundadora da Seatech e referência nacional em segurança dos alimentos, a gestão de estoques precisa ser encarada como um fator estratégico nesse período.
“Em períodos de alta demanda, como o verão, feriados e o Carnaval, a gestão de estoques precisa ser tratada como um ponto crítico de segurança dos alimentos e de resultado financeiro, não apenas como rotina operacional. Planejar compras com base no consumo real, alinhar volumes à capacidade de refrigeração, monitorar temperaturas e aplicar rigorosamente o PVPS são práticas indispensáveis para evitar desperdícios, rupturas e perdas, especialmente em períodos de calor intenso”, afirma.
Apesar das diferenças regionais, um ponto é comum: o verão exige planejamento. Cardápio bem definido, equipe treinada, uso de tecnologia e organização de compras aparecem como fatores decisivos para aproveitar o aumento do fluxo e manter a qualidade da experiência.
“Ter uma boa equipe hoje é um grande desafio, mas faz toda a diferença. Um atendimento bem feito transforma o cliente ocasional em recorrente”, resume Fabrício. Em Salvador, Geisa reforça que o clima de verão favorece encontros entre amigos e famílias. “Praia, sol, boa comida, bebidas geladas e um bom atendimento influenciam bastante e ajudam a aumentar o fluxo”, diz.
Com altas temperaturas, agenda cheia de eventos e expectativa positiva de faturamento, o verão se consolida como um período estratégico para os negócios de alimentação fora do lar. Mais do que um pico sazonal, a estação se mostra uma oportunidade para ajustar processos, fortalecer a marca e construir resultados que se estendam ao longo de todo o ano.

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