Por Guilherme Paixão
Data: 2 de fevereiro de 2026
Com calendário extenso, rivalidades regionais e novas gerações de torcedores, o Brasileirão reforça fluxo, tempo de permanência e planejamento estratégico em bares e restaurantes de diferentes regiões do país
O início do Brasileirão costuma marcar uma virada simbólica para bares e restaurantes em todo o país. Mais do que um campeonato de futebol, a competição representa previsibilidade de público, recorrência de consumo e oportunidade de ativação ao longo de vários meses. Em 2026, esse impacto ganha força em estados como o Pará, que volta a ter um representante na Série A após mais de duas décadas, e em praças tradicionais, como Minas Gerais, onde o futebol é parte central da cultura urbana.
Para o setor de alimentação fora do lar, o Brasileirão reforça um comportamento já conhecido pelos empresários: o torcedor chega mais cedo, permanece mais tempo no estabelecimento e transforma o bar em ponto de encontro social. Esse padrão se repete em diferentes capitais e exige ajustes de operação, layout e ambientação para aproveitar melhor o potencial do campeonato.
Fluxo, permanência e ambiente moldados pelo Brasileirão
Em Belo Horizonte, onde a rivalidade entre Atlético e Cruzeiro historicamente movimenta os bares, o Brasileirão costuma funcionar como um “recomeço” do ano. Segundo Vando Fontes, sócio do Almanaque e do Avra, o campeonato renova o ânimo do público e puxa o movimento. “O início do Brasileirão é tipo ‘Ano Novo’ dos bares. O torcedor está com a esperança renovada e isso traz gente para dentro das casas”, afirma.
Ele explica que os dias de jogo influenciam diretamente decisões estratégicas. “A gente muda o layout do salão, organiza as mesas para que todos tenham boa visão dos telões. O bar vira uma arquibancada. Luz e som são calibrados para melhorar o ambiente”, diz. Para Vando, o futebol também impacta o tempo de permanência. “O torcedor é o único cliente que chega antes da casa abrir. Se o time ganha, ele fica mais duas horas comemorando.”
Em Belém, o retorno do Remo à Série A tende a provocar mudanças ainda mais profundas no comportamento do público. Maurício Façanha, dono do Tap House Ver A Cerva, avalia que o Brasileirão dialoga diretamente com uma geração que agora tem poder de consumo. “Tem uma geração de 25 a 30 anos que nunca tinha visto o Remo na Série A. Essa turma consome bares e restaurantes e isso deve mudar bastante o comportamento da cidade”, afirma.
Segundo ele, os jogos durante a semana ganham protagonismo. “Muita gente não costuma sair nesses dias, mas o jogo vira o motivo. Nem todo mundo vai ao estádio e nem quer ficar em casa”, explica. Já aos fins de semana, o cenário se divide. “O paraense tem o hábito de fazer churrasco em casa. Então o público acaba se repartindo.”
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Em praças onde convivem torcidas locais e clubes do eixo Rio-São Paulo, o Brasileirão exige leitura fina do público. Maurício destaca que os confrontos nacionais também atraem consumidores. “Os jogos dos grandes times sempre trazem muita gente. Em cada canto existe um fã-clube. Como somos uma casa especializada em cervejas artesanais, muita gente de fora do Pará procura a gente.”
A estrutura do Tap House foi adaptada para isso. “Abrimos um segundo andar com capacidade para 62 pessoas. Nos fins de semana ele já funciona, mas em dias de jogo abrimos exclusivamente para transmissão, enquanto embaixo segue com música”, conta.
Para os empresários, o Brasileirão não deve ser tratado como evento pontual. “A gente já transmite jogos há bastante tempo. Vimos um nicho de mercado e funciona. A rivalidade fica na televisão, não entre as torcidas. O próprio time brinca, faz apostas entre mesas para manter a harmonia”, relata Maurício.
Para o setor, o campeonato é menos sobre um jogo isolado e mais sobre constância. Quando bem trabalhado, o Brasileirão se transforma em aliado estratégico para fluxo, fidelização e estabilidade do faturamento ao longo do ano.

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