Por Thainá Lima
Data: 14 de janeiro de 2026
Segurança dos alimentos se faz ainda mais necessária em meio ao calor intenso do período de carnaval
Embora o Carnaval de 2026 aconteça oficialmente na terça-feira, 17 de fevereiro, a festa começa bem antes em diversas regiões do país. Desfiles das escolas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro já estão programados para a sexta-feira (13), enquanto blocos e eventos de pré-carnaval movimentam estados como Bahia, Pernambuco e Mato Grosso do Sul semanas antes da data oficial. Com isso, bares, restaurantes, quiosques e eventos passam a receber um grande fluxo de foliões ainda nas semanas que antecedem a folia.
Para o público, o pré-carnaval representa a chance de entrar no clima da festa com mais conforto, fazer pausas entre um bloco e outro e prolongar a experiência carnavalesca. Para o setor de alimentação fora do lar, o período se consolida como estratégico, reunindo turistas, novos clientes e aumento de movimento. Nesse cenário, a segurança dos alimentos se torna um fator central para garantir que a experiência seja positiva do início ao fim.
Carnaval antecipado amplia movimento e exige atenção à segurança
A antecipação da folia ocorre em um momento de confiança do setor. Levantamento da Abrasel mostra que 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Em relação ao último trimestre do ano anterior, 56% também projetam crescimento. A expectativa positiva é sustentada pelo desempenho recente das empresas, impulsionado pelas confraternizações de fim de ano e pelo pagamento do 13º salário, em um cenário de menor taxa de desemprego.
Os dados mostram ainda que, em novembro, 40% dos bares e restaurantes operaram com lucro e outros 40% registraram equilíbrio financeiro. Já 19% estavam no prejuízo, percentual ligeiramente menor que no mês anterior. Em relação a outubro, o faturamento cresceu para 44% dos negócios, enquanto 28% mantiveram estabilidade. Com mais movimento e operações em ritmo acelerado, a segurança passa a ser um elemento essencial para acompanhar esse crescimento de forma sustentável.
De acordo com Adriana Lara, fundadora da Seatech Consultoria e Líder em Educação e Produtividade da Abrasel, o Carnaval reúne fatores que elevam os riscos quando não há cuidado adequado. “O calor intenso e o grande volume de pessoas fazem com que alimentos e bebidas sejam preparados, armazenados e consumidos em ritmo acelerado. Isso pode aumentar o risco de os alimentos ficarem fora da refrigeração por mais tempo ou serem manipulados com menos cuidado”, explica.
Calor, consumo fora da rotina e riscos mais frequentes

Entre os problemas mais comuns nesse período estão falhas na manutenção da temperatura adequada, contaminação cruzada em operações com pouco espaço e alta demanda, além de questões relacionadas à higiene pessoal das equipes, que muitas vezes trabalham sob pressão e fadiga. O uso de água e gelo sem controle e o armazenamento improvisado, especialmente em eventos externos, também merecem atenção. Esses fatores aumentam a probabilidade de doenças transmitidas por alimentos quando não há uma gestão ativa da segurança.
O calor é outro ponto central. Adriana Lara destaca que as altas temperaturas aceleram a deterioração dos alimentos. Carnes, molhos, laticínios e preparações prontas, por exemplo, não devem permanecer expostos por longos períodos fora da refrigeração. Além disso, o calor intensifica a necessidade de cuidados com a higiene das mãos e dos utensílios, já que o suor e o contato constante podem facilitar a contaminação. Em períodos como o Carnaval, pequenas falhas podem comprometer a segurança e afetar diretamente a experiência do consumidor.
Para quem vai comer fora, observar o funcionamento dos estabelecimentos é uma forma de reduzir riscos. Ambientes organizados, com fluxo definido e equipes preparadas tendem a oferecer mais segurança ao público, mesmo em momentos de alta demanda.
Organização dos estabelecimentos reforça a segurança do consumidor
Segundo Adriana Lara, a organização dos processos têm impacto direto na qualidade do serviço e na proteção de quem consome. “Quando a equipe segue boas práticas, mantém o ambiente organizado e trabalha com clareza de funções e fluxo, o risco de falhas diminui. Isso se reflete em alimentos mais seguros e em um atendimento mais cuidadoso”, afirma.
Muitos bares e restaurantes têm investido em eventos próprios durante o pré-carnaval, como festas temáticas, shows e programações especiais. Essas iniciativas criam ambientes mais estruturados e confortáveis, favorecendo a segurança alimentar e atraindo consumidores que buscam alternativas aos grandes blocos de rua. A organização também contribui para reduzir improvisos, um dos principais inimigos da segurança em períodos de grande movimento.
Com a programação começando cada vez mais cedo, o pré-carnaval se consolida como um momento relevante tanto para o público quanto para o setor. Para Adriana Lara, a atenção à segurança é determinante para que a festa seja bem aproveitada. “Em um período de celebração, a segurança dos alimentos garante que o Carnaval seja lembrado pela festa, pela alegria e pelo sabor e não por problemas de saúde que poderiam ser evitados com gestão e responsabilidade”, destaca. Ao escolher locais confiáveis, observar as condições de higiene, consumir alimentos bem conservados e manter-se hidratado, o consumidor fortalece sua própria segurança e consegue aproveitar a folia com mais tranquilidade, energia e bem-estar, do pré-carnaval até os dias oficiais das festas.

Deixe seu comentário