
Por Abrasel
Data: 8 de agosto de 2024
Diversidade no mercado de trabalho: pretos e pardos são maioria em bares e restaurantes
Formalização e qualificação ainda são desafios para o setor
O setor de alimentação fora do lar emprega milhões de brasileiros e reflete a diversidade da população. Dados da Abrasel, com base na Pnad Contínua do IBGE, mostram que 63% dos trabalhadores de bares e restaurantes são pretos ou pardos. Esse número reforça a importância de discutir representatividade, equidade e oportunidades para esses profissionais, especialmente em cargos de liderança.

A falta de negros e pardos em posições de gestão é um desafio histórico, apontado por especialistas como um reflexo da desigualdade estrutural do país. A escritora Djamila Ribeiro, em seu livro Pequeno Manual Antirracista, questiona essa ausência e destaca que a presença de profissionais negros deve ser incentivada não apenas nas funções operacionais, mas também em cargos estratégicos.
Desafios e avanços
Apesar da predominância da população negra no setor, muitos ainda enfrentam dificuldades para alcançar melhores condições de trabalho, seja por falta de qualificação, informalidade ou barreiras invisíveis à ascensão profissional. Segundo a analista de Recursos Humanos Caroline Teixeira, avanços têm sido observados, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
“O aumento da diversidade vem da pressão da sociedade e da conscientização dos empreendedores. Muitas empresas já entenderam que um ambiente diverso melhora o clima organizacional e fortalece a conexão com os clientes”, explica.
Para os empresários, investir em diversidade não é apenas uma questão social, mas também estratégica. Restaurantes que adotam políticas de inclusão relatam maior engajamento dos clientes e equipes mais motivadas. No entanto, a inclusão real vai além da contratação: exige capacitação, cultura organizacional acolhedora e oportunidades de crescimento.
Formação e oportunidades
Uma das principais barreiras para o avanço de negros e pardos no setor é a falta de qualificação. A confeiteira Ariana Bentos, dona da Bentos Confeitaria, em Lavras (MG), ressalta que a luta por espaço em cargos de liderança é constante. “Temos poucas pessoas negras na gestão. Para nós, a conquista de qualquer posição de destaque exige esforço dobrado”, afirma.
Ariana acredita que o caminho para a mudança passa pela educação e pelo incentivo ao empreendedorismo. “Sempre digo para quem trabalha comigo: invista em conhecimento, porque nossa luta é maior”, reforça.
O setor de bares e restaurantes tem a oportunidade de se tornar referência na inclusão e no desenvolvimento de talentos. Com políticas de diversidade e incentivo à qualificação, é possível ampliar oportunidades para milhares de profissionais, tornando o mercado mais justo e competitivo. Para empresários, criar um ambiente de trabalho mais inclusivo pode ser o diferencial para atrair talentos e conquistar a fidelidade do público.
Afinal, Bares e restaurantes que valorizam a diversidade criam ambientes mais acolhedores e inclusivos, proporcionando experiências autênticas para diferentes públicos e fortalecendo a conexão com os clientes.
Perfil Socioeconômico
A análise do perfil dos trabalhadores também destaca que 51% são mulheres, indicando uma distribuição equilibrada de gênero. Entretanto, questões relacionadas à remuneração e oportunidades de ascensão profissional ainda precisam ser abordadas para garantir equidade no ambiente de trabalho.
A presença majoritária de pretos e pardos no setor de bares e restaurantes no Brasil ressalta a importância de políticas inclusivas e de formalização do trabalho. Abordar os desafios da informalidade e promover a equidade são passos essenciais para fortalecer o setor e valorizar seus profissionais.
A diversidade desempenha um papel cada vez mais relevante no cenário de contratações no Brasil. Empresas de diversos setores têm adotado políticas de inclusão e representatividade, não apenas como um compromisso social, mas também como uma estratégia para fomentar a inovação, melhorar o ambiente corporativo e fortalecer a identidade da marca. No entanto, desafios ainda existem, especialmente em setores com menor presença de grupos historicamente sub-representados.
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